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Suspeito de atirar em Kledinho se entrega à polícia; esposa da vítima relata agressões e pede justiça em Sorriso

Delegado Paulo Brambila detalhou a apresentação espontânea do autor; defesa alegou provocação anterior e familiares do homem baleado contestaram a versão apresentada

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O homem apontado como autor dos disparos contra Kledinho, baleado no último domingo (5), no bairro Jardim dos Ipês, em Sorriso, se apresentou espontaneamente à Polícia Civil na manhã desta terça-feira (7). O caso é investigado como tentativa de homicídio.
Segundo as informações apuradas pela reportagem, a vítima foi atingida por disparos de arma de fogo após uma confusão registrada durante uma confraternização. Kledinho foi socorrido, encaminhado inicialmente à UPA e, posteriormente, transferido para o Hospital Regional de Sorriso, onde permanece internado.
Em entrevista à reportagem, o delegado Paulo Brambila explicou que, por conta do tempo decorrido entre os fatos e a apresentação do suspeito, não foi possível realizar a prisão em flagrante.
“Ele se apresentou juntamente com a arma aqui na delegacia, uma 9 mm. Foi ouvido, nós colhemos a oitiva dele. Não foi possível ainda colher a oitiva da vítima, uma vez que ela se encontra internada no Hospital Regional”, afirmou o delegado.

De acordo com Brambila, a versão inicial aponta que o suspeito estava com amigos após as eleições, quando a vítima chegou ao local acompanhada da esposa. Em determinado momento, conforme a apuração preliminar, houve um desentendimento entre as mulheres, seguido de luta corporal. Na sequência, ainda segundo o delegado, ocorreu uma confusão envolvendo também o atirador e a vítima.
“Pelas filmagens do local, pela oitiva de algumas testemunhas e pela versão do próprio autor, houve uma confusão entre as partes. Depois disso, a vítima teria saído e retornado ao local, momento em que o autor foi até o carro, pegou uma pistola 9 mm e efetuou os disparos”, disse.

Ainda conforme o delegado, o investigado alegou ter efetuado 14 disparos, sendo que um ou dois teriam atingido a vítima na região das costas. Brambila também afirmou que, em checagens preliminares, o suspeito não possui passagens criminais.
“Nós entendemos, no momento da apresentação, que não haveria mais o prazo para lavratura do flagrante, considerando a apresentação espontânea e também o fato de já terem se passado mais de 48 horas”, acrescentou.

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Na sequência, o advogado do suspeito afirmou à reportagem que seu cliente decidiu se apresentar por iniciativa própria e entregar a arma utilizada. Segundo a defesa, antes dos disparos houve provocações e um clima de tensão envolvendo familiares do investigado.
“Teve desentendimentos, provocação e ameaças. Ele perdeu a cabeça e revidou na hora, mas a ameaça partiu da vítima”, afirmou.

O advogado também declarou que, no dia seguinte ao caso, já havia comunicado às autoridades que o suspeito iria se apresentar para prestar esclarecimentos.
“No outro dia cedo já entrou em contato com a gente. Nós viemos na delegacia, conversamos com o pessoal do homicídio, informando que ele ia se apresentar e contar a versão dele. Ele está à disposição da Justiça, entregou a arma e agora vai aguardar o andamento do processo”, disse.

Depois das entrevistas com a polícia e a defesa, a reportagem também conversou com a esposa de Kledinho, que não quis se identificar. Ela relatou que o casal teria ido embora do local após o início da discussão, mas acabou sendo atacado.
Segundo ela, tudo começou depois de uma brincadeira feita por seu marido, o que teria irritado pessoas que estavam no local. A mulher afirma que, após questionar as ofensas dirigidas ao companheiro, foi agredida.
“A gente chegou lá, tava tudo conversando, todo mundo sociável. Do nada, começaram a xingar meu marido. Eu fui perguntar por que estavam mandando ele calar a boca e falei que, se não estavam gostando, a gente ia sair do local”, relatou.

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A esposa da vítima disse ainda que sofreu lesões durante a confusão e passou por exame de corpo de delito.
“A menina veio pra cima de mim, começou a me agredir. Depois ele também veio me agredir, pegou no meu pescoço, me puxou para trás, machucou minha coluna. Estou com hemorragia no olho. Meu marido está na UTI e não está podendo se defender”, declarou.

Ela também contestou a versão de que o casal teria ameaçado alguém antes dos disparos.
“Em momento nenhum a gente ameaçou ninguém. A gente só queria sair de lá e ir embora”, afirmou.

Ainda conforme a mulher, Kledinho já estava saindo de moto quando foi baleado.
“Ele já estava descendo a avenida, devagarzinho, quando o cara correu, pegou a arma e atirou nas costas dele”, disse.

O pai da vítima também conversou com a reportagem e cobrou justiça pelo caso. A identidade dele, assim como a da esposa de Kledinho, foi preservada.
A Polícia Civil segue investigando o caso e deve ouvir a vítima assim que o estado de saúde permitir, para esclarecer com mais precisão a dinâmica dos fatos.

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