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Três réus são condenados a mais de 73 anos de prisão por homicídio qualificado e organização criminosa em Sinop

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O Tribunal do Júri da 1ª Vara Criminal de Sinop (499 km de Cuiabá) condenou, nesta terça-feira (02), Derick Leonardo Marques Silva, Francinaldo Alves Pereira e Wesley Ribeiro dos Santos pelos crimes de homicídio qualificado e organização criminosa armada, praticados em concurso material contra a adolescente Cleuza Juliene Oliveira de Souza, de 17 anos. As penas somadas chegam a 73 anos e 9 meses de reclusão, todas em regime inicial fechado.

O Conselho de Sentença acolheu integralmente as qualificadoras apresentadas pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) — motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima — além de reconhecer a atuação dos réus em organização criminosa com uso de arma de fogo. Durante os debates, os promotores de Justiça Fabison Miranda Cardoso e Eduardo Antônio Ferreira Zaque, do Grupo de Atuação Especial no Tribunal do Júri (GAEJúri), destacaram a brutalidade e o contexto do crime.

“O que vimos aqui é um exemplo claro de disputa de território, onde a vida humana foi tratada como moeda de poder”, afirmou o promotor Eduardo Zaque.

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Crime premeditado e execução filmada

O homicídio ocorreu em 2 de setembro de 2022, na Estrada Leonora, zona rural entre Sinop e Cláudia. A vítima foi atraída sob o pretexto de se encontrar com integrantes de uma facção, mas acabou executada por membros do grupo rival.

De acordo com a denúncia, Cleuza foi morta com disparos de arma de fogo e golpes de facão. Após a execução, os réus utilizaram lonas, pá e enxada para tentar ocultar o corpo, mas foram presos em flagrante enquanto tentavam enterrá-lo.

O crime foi filmado pelos próprios envolvidos, e as imagens foram encontradas em celulares apreendidos. Para o promotor Fabison Miranda, o registro demonstra planejamento e frieza:

“Este crime não atinge apenas a vítima e sua família. Ele espalha medo, fortalece facções e desafia o Estado.”

Penas individualizadas

Francinaldo Alves Pereira (Naldo): Executor dos disparos e apontado como coordenador da ação.
Pena total: 33 anos, 9 meses e 12 dias.

Derick Leonardo Marques Silva (DK): Após os disparos, golpeou a vítima com facão e participou da gravação comemorando a execução.
Pena total: 17 anos e 3 meses.

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Wesley Ribeiro dos Santos (Israelense): Conduziu o veículo que levou a vítima ao local e participou da ação.
Pena total: 22 anos e 9 meses.

O laudo necroscópico constatou três disparos de arma de fogo e esgorjamento cervical.

Execução provisória das penas

A juíza Giselda Regina Sobreira de Oliveira Andrade determinou a execução provisória das penas com base na soberania dos veredictos do Júri, estabelecendo o regime fechado para os três condenados.

Atuação do GAEJúri

Criado em maio deste ano, o GAEJúri presta apoio especializado do MPMT em julgamentos de grande complexidade e repercussão social, fortalecendo a atuação do Tribunal do Júri em Mato Grosso.

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