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Polícia conclui investigação da Operação Agro-Fantasma e indicia quatro por fraudes milionárias em MT

Inquérito apurou esquema envolvendo compra e comercialização de grãos na região oeste do Estado; produtor rural relatou prejuízos superiores a R$ 70 milhões.

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A Polícia Civil de Mato Grosso concluiu o inquérito da Operação Agro-Fantasma, que investigou um suposto esquema de fraudes envolvendo a compra e a comercialização de grãos na região oeste do Estado. Ao final das investigações, quatro pessoas foram indiciadas pelos crimes de estelionato, associação criminosa e fraude processual.

Foram indiciados Sérgio Pereira de Assis, ex-deputado estadual de Mato Grosso do Sul; Mário Sérgio Cometki Assis; Wanderley Soares Barboza Júnior e Pedro Henrique Cardoso.

Mário Sérgio e Pedro Henrique foram indiciados por estelionato em continuidade delitiva, associação criminosa e fraude processual. Já Sérgio Pereira e Wanderley foram indiciados por estelionato em continuidade delitiva e associação criminosa.

A investigação foi conduzida pela Delegacia de Comodoro e teve como principal vítima um produtor rural que relatou prejuízos superiores a R$ 70 milhões em operações relacionadas à aquisição de grãos, venda de uma aeronave e empréstimos bancários.

Segundo a Polícia Civil, os investigados utilizavam empresas ligadas ao agronegócio para transmitir uma imagem de solidez financeira e conquistar a confiança de produtores rurais.

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Conforme apurado, algumas das primeiras operações eram pagas regularmente. Após estabelecerem credibilidade, os investigados teriam convencido a vítima a realizar, em seu próprio nome, sucessivas compras de grãos de outros produtores, com pagamentos a prazo.

Os produtos, segundo a investigação, eram posteriormente revendidos pelas empresas do grupo, geralmente à vista, garantindo liquidez imediata.

Com o aumento do volume das negociações, porém, os pagamentos teriam deixado de ser realizados. Dessa forma, produtores rurais e instituições financeiras permaneciam com valores a receber, enquanto as dívidas das operações ficavam registradas em nome da vítima.

Documentos levantaram suspeitas

Durante a investigação, a análise de documentos fiscais e de transporte apreendidos apontou indícios de incompatibilidades logísticas, repetição considerada atípica de pesos, emissão de documentos em intervalos incompatíveis com o transporte efetivo das cargas e sucessivas revendas de produtos com margens negativas.

Para a Polícia Civil, os elementos encontrados indicam que o caso ultrapassaria uma simples inadimplência ou eventual dificuldade financeira das empresas envolvidas.

Atuação coordenada

A investigação também apontou que os quatro indiciados teriam atuado de maneira coordenada, com funções definidas dentro das operações.

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Segundo a apuração, eles seriam responsáveis por diferentes etapas, incluindo negociação com fornecedores, compra e revenda dos grãos, emissão de documentos fiscais e movimentação dos valores obtidos com as vendas.

Ao concluir o inquérito, a Polícia Civil informou ter reunido elementos considerados suficientes de autoria e materialidade em relação aos crimes investigados.

As questões relacionadas às empresas envolvidas e a eventuais crimes contra as receitas estadual e federal deverão ser analisadas pela Secretaria de Estado de Fazenda de Mato Grosso (Sefaz-MT), por meio de auditoria, com posterior encaminhamento às autoridades competentes, conforme o resultado das apurações.

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