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Câmara de Sorriso se manifesta após prisão de servidor em operação contra fraudes e corrupção

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A Câmara Municipal de Sorriso divulgou uma nota oficial nesta terça-feira (19) após a prisão de um servidor público durante as operações deflagradas pela Polícia Judiciária Civil em Sorriso.

As ações fazem parte da Operação Eidolon e da Operação Falso Mestre, conduzidas pelo Núcleo de Combate ao Estelionato e Lavagem de Dinheiro da Delegacia de Polícia Civil de Sorriso. As investigações apuram esquemas envolvendo corrupção, fraudes bancárias, falsificação documental, lavagem de dinheiro e desvio de veículos apreendidos.

Durante a ofensiva policial, foram cumpridos mandados de prisão e busca e apreensão. Entre os alvos estão um juiz de paz, apontado como elo entre os esquemas criminosos, além de servidores públicos suspeitos de participação nas fraudes.

Em nota, a Câmara Municipal informou que acompanha oficialmente os desdobramentos do caso e destacou que poderá adotar medidas administrativas cabíveis conforme o avanço das investigações.

NOTA OFICIAL

A Câmara Municipal de Sorriso, por meio da Procuradoria Jurídica, informa que tomou conhecimento da prisão de servidor de seu quadro funcional, em investigação conduzida pelas autoridades competentes.

A instituição acompanhará os desdobramentos do caso pelos meios oficiais e adotará, no âmbito administrativo, as providências eventualmente cabíveis, na forma da legislação aplicável.

A Câmara Municipal permanece à disposição das autoridades competentes para colaboração institucional necessária.

ENTENDA O CASO 

A Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso, por meio do Núcleo de Combate ao Estelionato e Lavagem de Dinheiro da Delegacia de Polícia Civil de Sorriso, deflagrou na manhã desta terça-feira (19) duas grandes operações simultâneas contra organizações criminosas envolvidas em corrupção, fraudes bancárias, falsificação documental e lavagem de dinheiro.

As ofensivas, batizadas de Operação Eidolon e Operação Falso Mestre, resultaram no cumprimento de sete mandados de prisão, 16 mandados de busca e apreensão, além do bloqueio de contas bancárias e suspensão de funções públicas.

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De acordo com as investigações conduzidas pelo delegado Thiago Meira, o principal elo entre os dois esquemas criminosos seria um Juiz de Paz do município, preso sob acusação de utilizar o acesso a procedimentos cartorários para facilitar fraudes documentais. Um guarda municipal, apontado como liderança operacional de um dos grupos investigados, também foi alvo da operação.

Operação Eidolon investigou desvio de veículos apreendidos

A segunda fase da Operação Eidolon teve como foco uma associação criminosa estruturada para desviar veículos apreendidos — principalmente motocicletas com pendências administrativas — que estavam sob a guarda de um pátio conveniado à administração pública municipal de Sorriso.

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Segundo a Polícia Civil, os investigados identificavam veículos com baixa probabilidade de recuperação pelos proprietários legítimos. Com auxílio de servidores públicos e pessoas ligadas a cartórios, o grupo utilizava procurações fraudulentas e termos de liberação falsificados para retirar e regularizar os automóveis de forma ilegal.

Nesta etapa da operação foram cumpridos:

  • 05 mandados de prisão;
  • 09 mandados de busca e apreensão;
  • bloqueio de contas bancárias;
  • afastamento do sigilo financeiro de oito investigados.

O nome “Eidolon” tem origem grega e significa “reflexo” ou “imagem projetada”, fazendo referência à falsidade documental utilizada para encobrir os crimes.

Operação Falso Mestre revelou golpe milionário com financiamentos

Já a Operação Falso Mestre revelou um esquema interestadual de estelionato envolvendo financiamentos fraudulentos de veículos de luxo.

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As investigações começaram após uma vítima denunciar que entregou documentos pessoais a um antigo professor, em quem confiava, sob o pretexto de realizar uma matrícula no programa de Educação de Jovens e Adultos (EJA).

Conforme a Polícia Civil, utilizando os documentos da vítima, o suspeito realizou financiamentos fraudulentos de veículos de alto valor, entre eles um Chevrolet Cobalt e um Jeep Renegade, gerando dívidas de dezenas de milhares de reais.

Mais uma vez, o Juiz de Paz investigado aparece como peça-chave do esquema ao supostamente facilitar a emissão de procurações falsas em cartório.

Nesta operação foram cumpridos:

  • 02 mandados de prisão;
  • 07 mandados de busca e apreensão.

Mandados foram cumpridos em outros estados

Devido à complexidade e ao caráter interestadual das investigações, a ação contou com apoio de forças policiais de outros estados.

Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Balneário Piçarras, enquanto um mandado de prisão foi executado na comunidade Novo Céu, em Autazes.

Segundo o delegado Thiago Meira, o foco das investigações é descapitalizar os grupos criminosos e sufocar financeiramente as atividades ilícitas.

“Investigações envolvendo crimes financeiros e lavagem de dinheiro demandam elevado grau de complexidade técnica. O foco principal é a identificação da estrutura financeira e o rastreamento patrimonial para sufocar as atividades ilícitas”, destacou o delegado.

Os suspeitos poderão responder pelos crimes de organização criminosa, estelionato, corrupção, peculato, lavagem de dinheiro, falsificação de documentos públicos e inserção de dados falsos em sistemas de informação.

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