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Sorriso: Vereadores cobram providências e articulam CPI contra Águas de Sorriso após denúncias de esgoto a céu aberto

Durante a 30ª sessão ordinária, parlamentares discutiram denúncias de possíveis crimes ambientais; Jane Delalibera afirma que requerimento para abertura de CPI já foi apresentado, enquanto Toco Baggio confirma reserva de audiência pública.

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A situação do sistema de esgotamento sanitário de Sorriso voltou ao centro das discussões políticas na manhã desta quarta-feira (16), durante a 30ª sessão ordinária da Câmara Municipal. Um dos principais assuntos debatidos em plenário foi a atuação da Águas de Sorriso diante das recorrentes denúncias de extravasamento de esgoto em diferentes pontos do perímetro urbano.

Os episódios, registrados e divulgados pela imprensa local, têm provocado reclamações de moradores e levantado questionamentos sobre possíveis danos ambientais e riscos à saúde pública. Diante da situação, vereadores discutem medidas mais rigorosas de fiscalização, incluindo a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) e a realização de uma audiência pública.

Em entrevista à equipe de reportagem do Portal Estadão MT, o vereador Toco Baggio (PSDB) confirmou que já realizou a reserva para a audiência pública e manifestou apoio à abertura da CPI.

Segundo ele, os procedimentos precisam respeitar os trâmites legais da Câmara, mas a gravidade das denúncias exige providências.

“A gente sabe que dentro da Câmara a gente tem alguns trâmites, né, no qual a gente tem que buscar a legalidade para fazer algumas situações. No caso, eu fiz a reserva da audiência pública, está reservada, no qual nós vamos fazer”, afirmou.

O parlamentar explicou ainda que o vereador Wanderley Paulo havia reservado a proposta de CPI e que Jane Delalibera tomou a iniciativa de apresentar o requerimento para viabilizar a investigação parlamentar.

Toco Baggio também criticou a repetição dos problemas relatados pela população, destacando que algumas situações permanecem sem solução mesmo após sucessivas denúncias.

“Nós temos várias situações agravadas por vocês mesmos, que vocês vêm acompanhando, o descaso de algumas situações que cada vez mais se repetem em vários pontos, que não são consertados, arrumados ou dadas as devidas providências”, declarou.

Em tom de indignação, o vereador afirmou que os episódios envolvendo esgoto a céu aberto ultrapassaram, em sua avaliação, a esfera da saúde pública e passaram a representar possíveis crimes ambientais.

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“É uma vergonha, é uma falta de respeito com a sociedade e é uma atitude que nós temos que tomar”, ressaltou.

O parlamentar garantiu que continuará acompanhando o assunto e defendendo medidas para solucionar os problemas.

“O que depender do vereador Toco Baggio, não vai se calar e nós vamos tomar providência para que isso se resolva”, concluiu.

Jane Delalibera confirma requerimento para abertura de CPI e cobra atitude dos vereadores

A vereadora Jane Delalibera (PL) também conversou com a equipe de reportagem e fez duras críticas à demora na adoção de providências em relação às denúncias envolvendo a Águas de Sorriso.

A parlamentar destacou o trabalho realizado pela imprensa local, que tem divulgado registros de esgoto a céu aberto em diferentes regiões do município.

“O que a imprensa vem fazendo para ajudar o município, mostrando em cada canto dessa cidade um alagamento de merda, um fedor, que as pessoas estão ficando doentes, matando os peixes. O que a imprensa dessa cidade fez é louvável e deve ser levado em consideração”, afirmou. As alegações sobre doenças e mortandade de peixes são da vereadora e não foram comprovadas de forma independente nesta reportagem.

Jane relatou que já buscou orientações em Cuiabá e em diferentes órgãos para compreender quais medidas poderiam ser tomadas diante da situação.

Segundo ela, a resposta recebida foi de que os representantes eleitos precisam assumir a responsabilidade de buscar soluções.

“Então o que falta é atitude”, declarou.

Durante a entrevista, a vereadora também questionou a demora para formalizar a instalação de uma CPI. Segundo Jane, embora a proposta já estivesse sendo discutida havia aproximadamente 70 dias, o requerimento ainda não havia sido apresentado.

Ela explicou que são necessárias seis assinaturas de vereadores para viabilizar o pedido de abertura da comissão.

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“Hoje, em conversa com alguns vereadores, nós fizemos o requerimento, assinamos. Então o requerimento está nessa Casa, porque de promessa o povo tá cheio, de achismo o povo tá cheio”, afirmou.

A parlamentar também criticou a estrutura da agência municipal responsável pela regulação dos serviços, questionando a capacidade técnica do órgão para fiscalizar a concessionária.

“A GER nossa é uma ficção, é uma GER que não tem técnico, como o próprio líder do governo falou, não tem técnico. Então pra que a GER?”, questionou.

Jane defendeu que os vereadores se posicionem sobre a proposta de investigação, considerando a insatisfação dos moradores e a quantidade de denúncias divulgadas.

“Tá aí o pedido da CPI. Se os vereadores entenderem que se deve tomar uma atitude, eu acredito que a população ganha com isso”, declarou.

CPI e audiência pública ainda dependem de encaminhamentos

Apesar da mobilização dos parlamentares, a instalação da CPI ainda depende dos procedimentos regimentais da Câmara Municipal. O requerimento mencionado por Jane Delalibera representa uma iniciativa para a abertura da investigação, mas não significa que a comissão já tenha sido oficialmente instalada.

Da mesma forma, a audiência pública anunciada por Toco Baggio ainda não teve data informada durante as entrevistas.

As medidas poderão abrir espaço para esclarecimentos sobre a operação do sistema de esgotamento sanitário, a fiscalização dos serviços e as providências adotadas diante dos problemas denunciados pela população.

O posicionamento da Águas de Sorriso sobre as declarações dos vereadores e as denúncias apresentadas não foi informado no material disponibilizado à reportagem. As suspeitas de crime ambiental dependem de apuração pelos órgãos competentes, e a eventual responsabilidade da concessionária não pode ser considerada definitivamente estabelecida apenas com base nas denúncias.

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