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Sorriso: Polícia Civil conclui inquérito sobre estupro praticado por investigador dentro de delegacia

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A Polícia Civil de Mato Grosso concluiu o inquérito que apurou o crime de estupro contra uma mulher, praticado por um investigador de polícia dentro da delegacia de Sorriso, a cerca de 420 quilômetros de Cuiabá. O servidor público foi indiciado pelos crimes de estupro e abuso de autoridade, após exames periciais confirmarem o abuso sexual.

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Concluída a investigação, o inquérito foi encaminhado ao Poder Judiciário e ao Ministério Público para o prosseguimento da ação penal.

Início das investigações

O caso veio à tona na primeira quinzena de dezembro de 2025, quando a Delegacia de Sorriso recebeu uma requisição do Ministério Público relatando que uma mulher teria sido abusada sexualmente no interior da unidade policial por um investigador, enquanto estava custodiada.

A vítima encontrava-se presa em razão do cumprimento de um mandado de prisão temporária pelo crime de homicídio. Diante da gravidade da denúncia, a Polícia Civil instaurou imediatamente inquérito para apuração dos fatos.

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Durante as investigações, foram ouvidas outras detentas que dividiam a cela com a vítima, além de policiais plantonistas e do próprio servidor apontado como suspeito. Também foram requisitados exames periciais, incluindo a comparação do material genético do investigado com material biológico coletado da vítima.

O laudo pericial apontou compatibilidade genética, o que levou a Delegacia de Sorriso a representar pela prisão preventiva do investigador, além da expedição de mandados de busca e apreensão e da quebra de sigilo de dados telefônicos.

Prisão preventiva e medidas judiciais

As medidas foram deferidas pela Justiça da Comarca de Sorriso e cumpridas no último domingo (1º de fevereiro). O investigador, de 52 anos, foi preso preventivamente e, após audiência de custódia, encaminhado para a Chapada dos Guimarães, onde permanece custodiado.

Paralelamente, a Corregedoria-Geral da Polícia Civil instaurou um Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD) para adoção das medidas administrativas cabíveis.

Repúdio institucional

Em nota, a Polícia Civil de Mato Grosso reforçou que atua com transparência e rigor na apuração de irregularidades envolvendo seus servidores, destacando que não pactua com crimes nem tolera desvios de conduta dentro da instituição.

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A delegada-geral Daniela Maidel classificou o episódio como um caso isolado e condenou de forma veemente a conduta do servidor.

“A Polícia Civil não tolera qualquer prática criminosa de seus profissionais, que devem atuar em conformidade com a lei e em respeito aos direitos humanos. A Delegacia de Sorriso agiu com dever institucional e ético. É dessa forma que seguimos firmes no compromisso de proteger a sociedade, garantir justiça e não tolerar abusos dentro de nossas próprias estruturas”, afirmou.

Situação da vítima

A mulher vítima do estupro havia sido presa por envolvimento em um homicídio em Sorriso. No decorrer das investigações, a Delegacia representou pela revogação da prisão temporária, permitindo que ela respondesse em liberdade até a conclusão do inquérito do homicídio, que segue em andamento.

No entanto, posteriormente, foi expedido outro mandado de prisão preventiva contra a investigada pelos crimes de tortura e organização criminosa. Atualmente, ela é considerada foragida.

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