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Empresário investigado por movimentar R$ 60 milhões em esquema ilegal retira tornozeleira para viagem à Disney
O empresário Rogério de Araújo Sales, investigado por contrabando e suspeito de movimentar mais de R$ 60 milhões em operações ilegais em Mato Grosso, conseguiu na Justiça Federal o direito de retirar a tornozeleira eletrônica para realizar uma viagem internacional.
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A decisão foi assinada pelo desembargador Leão Alves, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), que autorizou a suspensão do monitoramento eletrônico entre os dias 14 e 28 de abril. Durante esse período, o investigado deve viajar com a família para a Disney, na Flórida (EUA).
Apesar da liberação da tornozeleira, o magistrado não tratou diretamente da autorização para saída do país, mas afastou temporariamente a principal medida cautelar que restringia a circulação do empresário.
A defesa alegou que a viagem tem caráter familiar e está relacionada ao estado de saúde da filha do investigado, que possui cardiopatia congênita grave e já passou por cirurgia cardíaca de alta complexidade. Segundo os advogados, o momento é importante para a convivência familiar diante do quadro clínico da criança.
O pedido foi contestado pelo Ministério Público Federal (MPF), que apontou falta de justificativa concreta para flexibilizar a medida. Para o órgão, o empresário tentava obter uma espécie de “férias” das restrições judiciais ao planejar a viagem internacional.
Ao analisar o habeas corpus, o desembargador não entrou no mérito da viagem nem avaliou diretamente o argumento humanitário. A decisão se baseou na ausência de reavaliação recente da tornozeleira eletrônica, imposta meses antes sem nova análise sobre a necessidade de manutenção.
Com isso, o magistrado determinou a suspensão temporária da medida e ordenou que a Justiça de primeira instância reavalie a necessidade do monitoramento após o retorno do investigado.
Anteriormente, o pedido havia sido negado pela Justiça Federal de primeira instância, que entendeu que a viagem não se enquadrava em situações excepcionais para flexibilização das medidas cautelares.
Segundo as investigações, Rogério teria movimentado cerca de R$ 63,7 milhões por meio de empresas, enquanto declarava rendimentos bem inferiores à Receita Federal. O caso também apura possível ligação com organização criminosa envolvida na comercialização de produtos contrabandeados.
A defesa informou que não irá se manifestar neste momento.

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