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Safra recorde expõe déficit de armazenagem e impulsiona uso do silo bolsa em MT

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A perspectiva de mais uma safra recorde de grãos em Mato Grosso reacende um dos principais desafios do agronegócio estadual: a insuficiência da capacidade de armazenagem. Enquanto a produção avança ano após ano, a expansão da infraestrutura para estocar os grãos não acompanha o mesmo ritmo, gerando impactos diretos na logística, nos custos operacionais e na rentabilidade dos produtores rurais.

Atualmente, a capacidade de armazenagem de grãos no Brasil é estimada em cerca de 225 milhões de toneladas, volume considerado insuficiente diante da produção nacional. Como consequência, grande parte da safra precisa ser escoada logo após a colheita, o que provoca filas em unidades recebedoras, pressiona o transporte e reduz o poder de negociação dos agricultores.

Diante desse cenário, cresce o uso do silo bolsa como alternativa para armazenagem dentro das propriedades rurais. O vice-presidente Oeste da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), Gilson Antunes de Melo, destaca que o déficit de armazenagem continua sendo um dos principais gargalos estruturais do setor.

“Quando chega o momento da colheita, o produtor muitas vezes não tem onde armazenar a produção. Em várias cidades de Mato Grosso há apenas um ou dois armazéns, e todos acabam colhendo praticamente no mesmo período. Com isso, surgem as filas para descarregar e o produtor fica dias com os caminhões aguardando. Esse atraso afeta diretamente a colheita, reduz a produtividade e compromete a rentabilidade”, afirmou.

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Segundo ele, a falta de estrutura faz com que muitos produtores fiquem dependentes das tradings e das empresas que possuem capacidade de recebimento e armazenamento, limitando a possibilidade de comercializar a produção em momentos mais favoráveis do mercado.

Nesse contexto, o silo bolsa vem ganhando espaço como uma solução prática e economicamente viável. “O silo bolsa caiu como uma luva nesse cenário. Ele não exige um custo elevado para implantação, mantém a qualidade dos grãos e permite que o produtor comercialize em um momento mais estratégico, quando o mercado não está em plena colheita, o que geralmente resulta em melhores preços”, ressaltou Gilson.

Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária apontam que Mato Grosso possui a maior capacidade instalada de armazenagem do país, com aproximadamente 57,9 milhões de toneladas. Ainda assim, esse volume é suficiente para armazenar apenas 52% da produção total de grãos do estado, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Considerando apenas soja e milho, a cobertura chega a 56%, deixando um déficit estimado em 45,28 milhões de toneladas.

O produtor rural Ivo Frohlich Júnior relata que a adoção do silo bolsa trouxe maior autonomia para a gestão da produção.

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“O principal motivo que nos levou a adotar o uso da silo bolsa foi a possibilidade de obter um preço melhor. Na entressafra, é possível alcançar valores mais atrativos, o que acaba compensando todos os custos do sistema e garantindo rentabilidade”, explicou.

Ele também destaca a redução dos custos logísticos e de armazenagem, além da liberdade para negociar a produção com diferentes compradores. “Com a silo bolsa, o produtor ganha mais autonomia, uma vez que fica livre para negociar no mercado, vender para quem quiser e quando puder, inclusive para o mercado interno, sem pagar custos de armazenagem.”

Para Ivo, a tecnologia já se tornou indispensável dentro da propriedade rural. “A silo bolsa é uma das tecnologias de armazenamento que chegaram para ficar. Quem adotou essa ferramenta até hoje, em geral, não se arrepende, justamente pelos benefícios que ela oferece.”

Com o crescimento contínuo da produção agrícola e a persistência do déficit de armazenagem, o silo bolsa vem se consolidando como uma alternativa cada vez mais presente nas fazendas mato-grossenses. Enquanto isso, entidades do setor defendem investimentos estruturais para ampliar a capacidade de armazenamento e garantir maior competitividade ao agronegócio do estado.

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