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Polícia Civil deflagra operação contra esquema milionário de desvio de veículos e fraudes em Sorriso

Investigação aponta mais de R$ 2 milhões em prejuízos e cerca de R$ 50 milhões em movimentações financeiras; vendedora Vitória Sara Bezerra Lupatini, conhecida como “Sarinha”, é procurada pela polícia

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A Polícia Civil deflagrou, nesta quarta-feira (26), em Sorriso, a Operação Pátio Paralelo, com o objetivo de desarticular um grupo investigado por um suposto esquema envolvendo desvio de veículos, fraudes em negociações comerciais, associação criminosa e lavagem de dinheiro.

A investigação é conduzida pela Delegacia de Polícia de Sorriso, por meio do Núcleo de Combate ao Crime de Estelionato e Lavagem de Dinheiro. As apurações tiveram início após a identificação de inconsistências financeiras e comerciais em negociações realizadas dentro de uma concessionária instalada no município.

O Portal Estadão MT já havia revelado, em julho, denúncias envolvendo negociações atribuídas a uma vendedora de veículos em Sorriso. Na ocasião, vítimas relataram pagamentos realizados sem a posterior entrega dos automóveis, além de casos envolvendo veículos usados entregues como parte do pagamento que teriam saído do fluxo regular da concessionária.

Entre os alvos da investigação está Vitória Sara Bezerra Lupatini, conhecida como “Sarinha”, que está sendo procurada. Conforme informações divulgadas sobre a operação, ela é investigada por associação criminosa e furto qualificado.

Esquema utilizava credibilidade da concessionária

Segundo a Polícia Civil, os investigados teriam utilizado a estrutura e a credibilidade de uma conhecida marca do setor automotivo para conquistar a confiança dos clientes.

Durante as negociações, consumidores entregavam veículos usados como parte do pagamento e também realizavam transferências para adquirir outros automóveis. Entretanto, parte dos valores teria sido direcionada para contas bancárias de pessoas físicas e empresas relacionadas aos investigados, sem seguir o fluxo comercial regular.

A investigação também identificou casos em que veículos usados entregues como entrada teriam sido encaminhados a terceiros e posteriormente transferidos para empresas ligadas ao grupo. Conforme a Polícia Civil, essas operações não eram devidamente registradas ou contabilizadas pela concessionária.

A Justiça apontou indícios de que o método teria sido repetido em diferentes negociações. O esquema envolveria a obtenção de documentos de transferência, desvio dos veículos, alterações nas condições de financiamento e direcionamento dos pagamentos para contas sem relação formal com as transações.

Contas bancárias de investigados, terceiros e pessoas jurídicas também teriam sido utilizadas na movimentação dos recursos. Uma das linhas investigativas é de que empresas possam ter sido usadas para conferir aparência de legalidade aos valores.

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Prejuízo comprovado supera R$ 2 milhões

Até o momento, a Polícia Civil identificou entre 15 e 20 potenciais vítimas, e o prejuízo diretamente comprovado já ultrapassa R$ 2 milhões. O montante, contudo, poderá aumentar à medida que novas diligências sejam realizadas e outras possíveis vítimas sejam identificadas.

A análise financeira revelou ainda que pessoas e empresas relacionadas aos investigados movimentaram aproximadamente R$ 50 milhões no período de um ano.

A Polícia Civil esclarece que esse montante corresponde à movimentação financeira analisada e não significa que o prejuízo causado às vítimas tenha alcançado R$ 50 milhões. Até agora, o dano individualizado e comprovado é superior a R$ 2 milhões.

Em reportagem publicada anteriormente pelo Portal Estadão MT, relatos de vítimas e estimativas levantadas naquele momento indicavam que os prejuízos poderiam chegar a R$ 5 milhões. A contabilização oficial, porém, permanece em andamento.

Operação cumpre mais de 20 ordens judiciais

Durante a Operação Pátio Paralelo, são cumpridas mais de 20 determinações judiciais, incluindo um mandado de prisão preventiva, sete mandados de busca e apreensão, nove ordens de afastamento de sigilo bancário e cinco determinações de bloqueio de ativos financeiros.

Também foram autorizados sequestro de bens e veículos, indisponibilidade patrimonial até o limite de R$ 2 milhões e afastamento dos sigilos fiscal e telemático dos investigados.

As buscas atingem imóveis, empresas e outros endereços relacionados aos suspeitos. A Justiça autorizou a apreensão de celulares, computadores, notebooks, tablets, dispositivos de armazenamento, documentos, contratos, comprovantes de transferências, registros financeiros e veículos.

O material eletrônico apreendido poderá passar por extração e análise de dados. A intenção dos investigadores é identificar a possível divisão de tarefas entre os envolvidos, reconstruir o caminho percorrido pelos recursos e verificar a participação de outras pessoas ou empresas.

Investigada é apontada com papel central

Segundo a investigação, a mulher alvo do mandado de prisão preventiva teria desempenhado um papel considerado central no esquema, atuando desde a captação dos clientes e condução das negociações até o recebimento dos veículos usados e direcionamento dos pagamentos.

Denúncias recebidas anteriormente pelo Portal Estadão MT já apontavam negociações suspeitas atribuídas a uma vendedora. Documentos obtidos à época também mencionavam uma concessionária da marca Toyota como local de parte das negociações.

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Vítima relata prejuízo de R$ 100 mil em Corolla

Um dos casos revelados pelo Portal Estadão MT envolve um homem que afirmou ter desembolsado R$ 100 mil pela compra de um Toyota Corolla.

Segundo o relato, ele já havia negociado anteriormente com a vendedora e confiou na nova proposta. Inicialmente, realizou uma transferência de R$ 5 mil e, posteriormente, enviou outros R$ 95 mil para uma conta pessoal que teria sido indicada durante a negociação.

O Corolla, entretanto, não foi entregue. Posteriormente, o consumidor descobriu que o mesmo veículo estava sendo anunciado por outra pessoa em um grupo de vendas.

Ainda conforme o boletim, após ser questionada, a vendedora teria prometido devolver o dinheiro, porém somente R$ 500 teriam sido restituídos. Depois, ela teria alegado problemas envolvendo sua conta bancária e deixado de responder às mensagens.

Cliente relata depósitos de R$ 200 mil

Outro boletim de ocorrência relata uma negociação na qual uma cliente realizou dois depósitos de R$ 100 mil, totalizando R$ 200 mil para a aquisição de um veículo.

O automóvel deveria ter sido entregue em abril, mas, segundo a denunciante, isso não aconteceu. Conforme o relato registrado, posteriormente ela foi informada de que os valores recebidos teriam sido transferidos para outra conta.

Negociação de Hilux chegou a R$ 325 mil

Um terceiro consumidor relatou uma negociação envolvendo uma Toyota Hilux, iniciada no final de dezembro de 2025.

Conforme a vítima, foram transferidos inicialmente R$ 34 mil como sinal e posteriormente outros R$ 186 mil, somando R$ 220 mil. Após cerca de dois meses sem receber o veículo, ele solicitou a devolução do dinheiro.

Diante da demora, o consumidor decidiu adquirir uma caminhonete mais nova e realizou nova transferência, desta vez de R$ 105 mil. Ele chegou a receber a segunda Hilux, mas posteriormente descobriu que existiria débito referente ao veículo junto à concessionária.

As investigações da Operação Pátio Paralelo continuam para dimensionar o prejuízo total, localizar a investigada procurada, identificar novas vítimas e esclarecer a participação de cada pessoa envolvida no suposto esquema.

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